
O XRP é a criptomoeda da rede XRP Ledger, uma blockchain criada em 2012 para fazer transferências de dinheiro rápidas e baratas, principalmente entre países. Ele é muito associado à Ripple, empresa americana que usa o XRP em soluções de pagamento para bancos e fintechs. Uma transação leva de 3 a 5 segundos e custa uma fração de centavo. O XRP ficou famoso pela longa briga judicial com a SEC, a CVM dos Estados Unidos, encerrada em agosto de 2025, e pelos ETFs: o primeiro ETF de XRP do mundo começou a ser negociado no Brasil, na B3. Veja como ele funciona, para que serve e quais são os riscos.
O que é o XRP
O XRP é a moeda nativa do XRP Ledger (XRPL), uma rede de registro descentralizada, ou seja, uma blockchain. Se ainda não está claro o que é isso, veja Blockchain: o que é, de um jeito simples.
A rede foi criada em 2012 por David Schwartz, Jed McCaleb e Arthur Britto, que logo depois fundaram a empresa que hoje se chama Ripple. Algumas características tornam o XRP diferente do Bitcoin:
- Todas as moedas já existem: os 100 bilhões de XRP foram criados de uma vez, no lançamento. Não há mineração nem novas moedas sendo emitidas.
- Uma parte é destruída a cada uso: a pequena taxa de cada transação é "queimada", o que reduz a oferta total aos poucos.
- A Ripple guarda uma grande reserva: a empresa recebeu uma fatia grande das moedas e, desde 2017, deixa boa parte travada em contratos de custódia (escrow), liberando lotes mensais.
- Sem mineração: a rede chega a um acordo entre validadores independentes, sem gastar a energia que o Bitcoin gasta.
Ripple e XRP são a mesma coisa?
Não, e essa é a confusão mais comum. A Ripple é uma empresa de tecnologia financeira com sede nos Estados Unidos. O XRP é uma criptomoeda que roda no XRP Ledger, uma rede de código aberto que qualquer pessoa pode usar.
| Ripple | XRP | XRP Ledger | |
| O que é | Empresa de pagamentos | Criptomoeda | Blockchain (a rede) |
| Quem controla | Os acionistas da empresa | Quem tem as moedas | Validadores independentes |
| Para que serve | Vender soluções de pagamento a bancos | Pagar taxas e servir de "ponte" entre moedas | Registrar transações e rodar aplicações |
| Relação | Usa o XRP e guarda uma grande reserva | Moeda nativa da rede | Funciona mesmo sem a Ripple |
Por isso, quando você vê "Ripple" no nome da moeda em sites de cotação, trata-se de um apelido. O nome correto da criptomoeda é XRP.
Para que serve o XRP

A ideia principal do XRP é ser uma moeda-ponte para pagamentos internacionais. Hoje, mandar dinheiro de um país para outro costuma passar por vários bancos intermediários, demora dias e custa caro. Com o XRP, o caminho pode ser assim:
- Uma empresa no Brasil converte reais em XRP.
- O XRP é enviado pela rede em poucos segundos.
- Do outro lado, no México, por exemplo, o XRP é convertido em pesos mexicanos.
Assim, ninguém precisa deixar dinheiro parado em contas no exterior esperando o pagamento. A Ripple oferece esse serviço a bancos e fintechs com o nome de Ripple Payments.
Outros usos
- Transferências entre pessoas e corretoras: muita gente usa o XRP para mover valores entre corretoras, por ser rápido e barato.
- Stablecoins na rede: a própria Ripple lançou o RLUSD, uma stablecoin atrelada ao dólar que roda no XRP Ledger e no Ethereum.
- Tokenização: a rede permite emitir tokens que representam outros ativos, como títulos e moedas.
- Investimento: boa parte das pessoas compra XRP apostando na valorização, o que traz os riscos de qualquer criptomoeda.
XRP x Bitcoin x Ethereum
| XRP | Bitcoin | Ethereum | |
| Lançamento | 2012 | 2009 | 2015 |
| Objetivo principal | Pagamentos rápidos entre países | Reserva de valor ("ouro digital") | Rodar aplicativos e contratos |
| Tempo de confirmação | 3 a 5 segundos | Cerca de 10 minutos por bloco | Cerca de 12 segundos por bloco |
| Oferta máxima | 100 bilhões (todos já criados) | 21 milhões | Sem limite fixo |
| Como valida | Consenso entre validadores | Mineração (prova de trabalho) | Prova de participação |
| Taxa típica | Fração de centavo | Varia, pode ser alta | Varia; menor nas camadas 2 |
Para conhecer os outros dois, veja Bitcoin para iniciantes: o que é, como comprar e guardar e Ethereum: o que é e como funciona, explicado para iniciantes.
A briga com a SEC e os ETFs
Em dezembro de 2020, a SEC processou a Ripple, acusando a empresa de vender XRP como um investimento sem registro. O caso durou quase cinco anos e derrubou o XRP de várias corretoras americanas.
- 2023: uma juíza decidiu que as vendas de XRP para o público em geral, nas corretoras, não eram oferta irregular de valores mobiliários. As vendas diretas para grandes investidores, sim.
- 2025: as duas partes desistiram dos recursos. O tribunal de apelação encerrou o caso em 22 de agosto de 2025, e a Ripple ficou com uma multa de US$ 125 milhões, bem abaixo dos US$ 2 bilhões que a SEC pedia.
Com o fim do processo, vieram os ETFs, fundos negociados na bolsa que acompanham o preço do XRP:
- Brasil, pioneiro: o XRPH11, da Hashdex, começou a ser negociado na B3 em 25 de abril de 2025 e foi o primeiro ETF de XRP do mundo. Ele segue o índice Nasdaq XRP Reference Price.
- Estados Unidos: o primeiro ETF à vista de XRP estreou na Nasdaq em novembro de 2025, e vários outros vieram depois. Segundo a imprensa especializada, os ETFs americanos captaram mais de US$ 1,3 bilhão nos primeiros 50 dias de negociação.
Riscos do XRP
- Preço muito volátil: o XRP pode subir ou cair dezenas de por cento em poucos dias.
- Concentração: a Ripple e seus fundadores têm uma fatia grande das moedas. Vendas grandes podem pressionar o preço.
- Dependência da Ripple: a rede funciona sem a empresa, mas boa parte do interesse no XRP depende dos negócios dela.
- Uso real x especulação: muitos bancos usam produtos da Ripple sem necessariamente usar o XRP, o que gera debate sobre a demanda real pela moeda.
- Golpes: o XRP é um dos alvos favoritos de golpistas, com "sorteios" falsos e vídeos falsos de executivos prometendo dobrar suas moedas.
Ninguém dobra o seu XRP. Vídeos ao vivo no YouTube e posts dizendo que a Ripple vai "devolver o dobro" do que você enviar são sempre golpe, mesmo quando mostram o rosto de executivos reais (muitas vezes criados com IA). Veja Golpes com criptomoedas: como identificar e se proteger.
Como comprar XRP no Brasil
- Escolha uma corretora confiável que opere no Brasil e aceite Pix.
- Crie a conta e valide sua identidade com documento e selfie.
- Deposite reais via Pix e compre XRP. É possível comprar frações, a partir de poucos reais.
- Decida onde guardar: na própria corretora ou em uma carteira própria. Veja Carteira de Bitcoin: corretora ou carteira própria?, que vale também para o XRP.
Outra opção é comprar o ETF XRPH11 pelo home broker, como uma ação. Assim você investe no preço do XRP sem precisar guardar a criptomoeda.
Atenção à tag de destino
Ao enviar XRP para uma corretora, ela geralmente pede uma tag de destino (destination tag), um número que identifica a sua conta. Se você esquecer a tag, o dinheiro chega na corretora, mas não cai na sua conta, e recuperar pode levar semanas ou nem ser possível. Além disso, uma carteira própria precisa manter uma pequena reserva mínima de XRP travada para ficar ativa.
Este artigo é educativo e não é recomendação de investimento. Criptomoedas são de alto risco: invista só o que pode perder.
Perguntas frequentes
O XRP é a moeda da Ripple?
Na prática, é a moeda mais ligada à Ripple, mas ela é nativa do XRP Ledger, uma rede aberta que funciona de forma independente da empresa.
O XRP é minerado?
Não. Todos os 100 bilhões de XRP foram criados no lançamento, e a rede valida transações por consenso entre validadores.
O XRP ainda é ilegal nos Estados Unidos?
Não. O processo da SEC terminou em agosto de 2025, e o XRP voltou a ser negociado em corretoras e em ETFs americanos.
Tem imposto sobre XRP?
Sim. As regras de criptomoedas no Brasil valem para o XRP, incluindo a declaração no Imposto de Renda. No ETF, a tributação segue as regras dos fundos de índice.
Conclusão
O XRP é a criptomoeda do XRP Ledger, uma blockchain feita para transferências rápidas e baratas, especialmente entre países. Ele é ligado à Ripple, mas não é a mesma coisa que a empresa. Depois de vencer em boa parte a briga com a SEC, o XRP ganhou ETFs no Brasil e nos Estados Unidos e voltou ao centro do mercado. Mesmo assim, a concentração de moedas na Ripple, a volatilidade e os muitos golpes pedem cuidado. Entenda bem o que está comprando, use corretoras confiáveis e nunca esqueça a tag de destino nas transferências.
Fontes: B3 Bora Investir (primeiro ETF de XRP do mundo) · Forklog (fim do processo SEC x Ripple) · Decrypt (estreia do ETF de XRP nos EUA) · Börse Express (ETFs de XRP e RLUSD) · XRPL.org (site oficial do XRP Ledger)
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